Os extremos de uma realidade falsa

“Gosto das críticas deste programa pois ele mostra a realidade.” “Isso é válido para você conhecer a realidade.”

Mas heim? Que realidade? Não entendo a visão de pessoas que defendem o conhecimento da “realidade” de uma única face. Pois, para início de conversa, existem várias “realidades”. Mostrar, por exemplo, as favelas como sendo a realidade do Brasil é um erro, bem como mostrar pessoas trabalhando e vivendo bem. Qualquer extremo que seja exibido como realidade é um engano pois limita-se a uma única visão enquanto oculta outras. Mas por que as pessoas se limitam ao ruim como forma de conhecer a realidade? Por que não se pode conhecer as várias realidades de um lugar?

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Campanhas condicionam ou conscientizam?

As campanhas são vistas como formas eficazes de conscientizar e orientar. E assim, extinguir determinada postura (ex: homofobia) ou sanar alguma dúvida específica (ex: sobre o HIV). Mas quando se pensa em “conscientizar” e “orientar” não se pensa no termo “condicionar”, que é o que muitas campanhas têm feito.

Condicionar: Tornar dependente de condição.

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Sobre movimentos e massas

O RLY?

Há quem pense e lute por movimentos anti-alienação, que abram os olhos da “pobre-coitada-massa” que é, na visão de algumas pessoas, submetida à doses diárias de idiotização seja no trabalho ou em frente à tv. Em tese tudo é muito bonito, importar-se com a ignorância do próximo e querer fornecer a ele um pouco de conhecimento soa romântico. Contudo, em minha visão as coisas não são exatamente dessa forma. Pode ser estranho, mas as pessoas têm o direito de escolher se querem ou não ser manipuladas, se querem ou não acreditar em tudo que leem, escutam, veem; enfim, eu não vou chegar até alguém e dizer: olha, estão te enganando, permita-me abrir os seus lhos. Oras, e eu, eu não sou enganada ou manipulada? Quem garante? Essa ideia de “eu sou crítico e anti-sistema” é bem interessante quando você realmente acredita saber mais que os outros e que, como conhecedor da “verdade”, tem a obrigação de avisar aos desinformados.

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Prefiro um ano de conscientização ao criança esperança

Uma vez ao ano um falso senso de conscientização é estabelecido nas pessoas com um prazo de validade determinado: um mês. O criança esperança acontece em uma das maiores emissoras brasileiras, então, é de se esperar que algumas pessoas se mobilizem porque veem conhecidos se mobilizando e atores da emissora divulgando o projeto. O criança esperança tem como objetivo arrecadar doações de seus telespectadores e enviá-las a ONGs voltadas às crianças e aos jovens. Visto por esse ângulo é uma atitude bem bonita, enquanto as pessoas só tem o trabalho de doar um dos valores estipulados, o trabalho pesado fica com a emissora: que é o de conscientizar o público sobre a importância de uma doação – envolvendo testemunhos de jovens que tiveram suas vidas mudadas graças aos doadores – e acompanhar as atividades das ONGs que são destinadas as doações.

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2010 – foi descoberto o crack

Vocês já devem ter percebido que de uns tempos para cá as campanhas contra a maconha deram lugar às campanhas contra o crack. Penso em quanto tempo foi “perdido” ao alertar as pessoas sobre o uso da maconha quando existia uma droga MUITO pior. Agora só abordam o crack e esqueceram – mais uma vez – que a principal porta de entrada às drogas é a maconha e o álcool. Seria melhor se as campanhas citassem todas as drogas mais conhecidas e consumidas. Quem é que cria essas campanhas 8/80?

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