Category Archives: Critica
Sobre estar errado
Vi no Livros e Afins o vídeo de Kathryn Schulz sobre estar errado. Gostei muito do vídeo e percebo o quão valioso ele é para
- nos desapegarmos da necessidade de sempre estarmos certos;
- percebermos como nossa sensação de certeza pode ser falha, e
- reconhecermos que não somos as pessoas mais capazes de compreender o que é certo.
Os pais estragam seus filhos
Algum tempo atrás eu escrevi um post criticando o costume de alguns pais de mentir para fazer com que o filho obedeça. Agora escrevo sobre alguns erros que vejo os pais cometendo e que há tempos percebo.
Primeiramente, é importante lembrar como um filho em seus primeiros anos de vida dá trabalho, mas também é importantíssimo enfatizar que é justamente nos primeiros anos que os pais mais estragam seus filhos. Muitas vezes por impaciência – afinal, quem é que suporta o choro irritante dos pirralhos? – outras vezes por preocupação – o que faz com que os pais achem que a criança está com dores ou com algum problema que eles são incapazes de descobrir – e nesse processo seja de impaciência ou de preocupação por não compreender o que o choro quer dizer eles acabam pecando pelo excesso: dão colo demais, chupeta, ficam ninando até a criança dormir ou acalmar-se. Assim ela fica mal acostumada e os pais demasiadamente cansados. E os pais muitas vezes não se dão conta do processo viciante que colocam eles próprios e seus filhos: quanto mais mal acostumados deixam seus filhos, mais o filho exigirá de seus pais e os pais cansados, mais impacientes ficarão. Dessa forma, a capacidade dos pais em suportar um choro, manha ou pirraça praticamente desaparece e eles acabam dando ou fazendo tudo o que o filho quer para que ele fique quieto, não irrite e não dê trabalho.
É bom rir da desgraça alheia. Vamos combinar?
Carnavalzão já passou, mas a imagem "No carnaval, as mina pira; em novembro, as mina pari" continua circulando por aí. E eu achei de uma inteligência incabível tanto a imagem como todas as pessoas que compartilharam-na em seus perfis. (ironia)
Vamos refletir: Se todos que compartilharam a imagem concordam que muitas MENINAS engravidam indesejadamente no carnaval é porque também devem saber (nós esperamos, né?) que muito pouco se fala abertamente sobre sexo, prevenção e afins. E pior, enquanto pouco se fala sobre assuntos extremamente importantes e de um impacto imenso na vida da menina, pouco se tem consciência – a respeito de quem compartilha a imagem – em como esse impacto na vida da menina impacta em nossas vidas. Ahá!
Mas impacta em quê? – Talvez você se questione. Bom, vejamos: a maioria dessas meninas fará o pré-natal pelo SUS; qualquer problema que a menina venha a ter de saúde durante a gestação, ela recorrerá ao SUS; caso ela seja negligente e não faça o pré-natal, há o risco da criança nascer com problemas e esses problemas serão tratados pela saúde pública e; se a menina tentar abortar e como consequência adquirir uma infecção ou qualquer outra complicação devido ao aborto, mais uma vez será à saúde pública que ela recorrerá.
O controle que não temos sobre o cérebro
Problemas como depressão e síndrome do pânico não são frescura e quem os possui não consegue controlar ou evitar que isso tome conta. Assim como não se controla uma diabetes ou hipertensão apenas pela vontade de se curar, o mesmo vale para problemas psiquiátricos.
Diferentemente de alguém que está momentaneamente triste, uma pessoa em depressão não se anima ao ouvir o incentivo de um amigo ou parente; a pessoa pode tentar, querer, mas não consegue se animar. Para o depressivo, nada tem solução ou esperança de melhora e encarar isso como frescura ou fraqueza só deixa o doente pior.
Há quem pense que quando se trata da mente, nós temos total controle. Mas infelizmente não é assim. A mente independe tanto de nossa consciência e vontade como nosso corpo. Portanto, entender através da psicoterapia até que ponto conseguimos administrar os problemas e intervir no problema com medicamentos não é fraqueza, tampouco comportamento da “modernidade” ou modismo.