Problemas como depressão e síndrome do pânico não são frescura e quem os possui não consegue controlar ou evitar que isso tome conta. Assim como não se controla uma diabetes ou hipertensão apenas pela vontade de se curar, o mesmo vale para problemas psiquiátricos.
Diferentemente de alguém que está momentaneamente triste, uma pessoa em depressão não se anima ao ouvir o incentivo de um amigo ou parente; a pessoa pode tentar, querer, mas não consegue se animar. Para o depressivo, nada tem solução ou esperança de melhora e encarar isso como frescura ou fraqueza só deixa o doente pior.
Há quem pense que quando se trata da mente, nós temos total controle. Mas infelizmente não é assim. A mente independe tanto de nossa consciência e vontade como nosso corpo. Portanto, entender através da psicoterapia até que ponto conseguimos administrar os problemas e intervir no problema com medicamentos não é fraqueza, tampouco comportamento da “modernidade” ou modismo.
Felizmente tem se dado um pouco mais de atenção aos problemas da mente e por essa razão pesquisado mais sobre antidepressivos e outras medicações. Há muito preconceito nessa área ainda, há quem pense que tais medicamentos só servem para sedar a pessoa e deixá-la vegetando ou que com antidepressivos a capacidade intelectual ou física da pessoa será reduzida. Essas ideias são falsas! Pessoas que estão doentes sentem-se melhores com medicação psiquiátrica e precisam de tais medicamentos para viver melhor. Do contrário, poderão passar o resto de suas vidas com medo de sair de casa ou esperando a morte como solução para tudo. Sinceramente, como pode alguém achar que encarar a vida dessa forma é ter frescura ou seguir moda de que hoje em dia tudo é doença?
As pessoas não estão doentes desde que esses problemas foram descobertos, estão doentes há muito mais tempo, mas só agora tais problemas atraíram uma atenção especial. E esses doentes estão perdendo sua qualidade de vida também desde sempre.
Eu já pensei dessa forma, já achei que atualmente qualquer comportamento natural do ser humano tem sido encarado como doença, mas hoje, depois de saber que tenho transtorno bipolar, vejo como é importante tratar o sofrimento e as limitações de cada pessoa com uma atenção especial.
Encarar a timidez como um transtorno não é supervalorizar uma característica humana que devia ser vista como natural. Eu conheço uma pessoa tímida e outra que tem fobia social, e sei como ambas sofrem com seus problemas. A fóbica social fica extremamente ansiosa quando sabe que precisa apresentar um trabalho na faculdade e pior, não consegue apresentar os trabalhos em público. A tímida conversa, se socializa, mas sempre comenta que gostaria de falar mais, abrir-se mais, mas não consegue devido a sua limitação. Pense como deve ser frustrante a essas pessoas querer algo melhor para elas mesmas e não conseguir oferecer. Eu sei como isso é frustrante pelo meu bipolar. Agora, dar uma atenção as esses problemas é frescura? Não consigo concordar com essa visão.
Vale lembrar que a psiquiatria e a psicologia não servem para deixar o ser humano bem o tempo inteiro. Ambas as áreas respeitam o natural do homem, mas quando o comportamento deixa de ser natural e passa a trazer prejuízos e sofrimentos, eles intervêm.
Textos adicionais: Psicologismo agudo (Por favor, não concorde com este post!)
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