Seu filho provavelmente tem mais neurônios que você e a capacidade de ligação entre esses neurônios está mais eficaz que a sua, portanto, neste natal revele a seu filho que o papai noel não existe. E caso você não tenha dinheiro o suficiente para comprar o presente que seu filho pediu, diga a ele que você possui X reais, que o brinquedo custa Y e falta Z reais que você, pai, não tem de onde tirar para poder comprar o brinquedo ao seu filho.
Por que tanta revolta? Porque muitos pais tratam seus filhos o ano inteiro como se eles fossem crianças retardadas. Crianças não são burras, tampouco incapazes de compreender o que acontece ao seu redor. Infelizmente uma cultura de educação infantil retardada se consolidou em muitos pais e educadores, mas tal “educação” só torna essas crianças seres que usam menos de sua capacidade intelectual.
Construir na cabeça da criança um mundo de fantasia e magia tem qual finalidade? Fazê-la crescer e ver que a vida é mais injusta e difícil do que ela imaginou na infância? Mostrar o mundo e sua forma de funcionamento a uma criança não a frustrará nem a revoltará. Só a tornará mais preparada para crescer e se habituar com as dificuldades apresentadas. Isso sem fazê-la entrar no conflito proporcionado pelos pais através do mundo de fantasia que eles mostraram ao filho e que não existe.
Todas as perguntas que uma criança faz quando começa a perceber o mundo deveriam ser respondidas da mesma forma que se responde a um adulto; sem termos técnicos, é claro, mas que essas respostas fossem verdadeiras, sem fantasia e mentiras.
Todos os erros que uma criança comete deveriam ser advertidos através da verdade. Todas as vezes que um pai fosse chamar a atenção de seu filho, ele deveria atenciosamente dar os detalhes e justificar qual é o problema. E não criar falsas caronas, cachorros e até policiais.
Dizer “não”, “não posso” e “não tenho condições para comprar” não deveria ser tão difícil para alguns pais. A criança só será frustrada com o não caso um valor seja atribuído àquele brinquedo – e não me refiro a valor financeiro, mas valor emocional e social.
Valores emocionais e sociais deveriam ser atribuídos não ao “possuir o objeto” mas a utilizá-lo, compartilhá-lo com um colega e doá-lo quando não for mais interessante à criança. Esses prazeres não exigem o “não” de um pai e são mais valiosos que o bem material que parece perder seu valor e prazer ao ser adquirido. Afinal, para muitos o prazer está em comprar, na sensação de poder ter e não em verdadeiramente ter e fazê-lo ser útil.
Percebem onde está o erro? Crianças educadas de forma retardada tendem a se tornar adultos retardados. Bonecas, carrinhos, azul e rosa. Para que simplificar e idiotizar uma mente mais ativa que a de muito adulto inteligente? Para que reduzir a complexidade e ocultá-la das crianças quando, na verdade, apresentar tal complexidade pode ser mais instigante e prazeroso a uma criança?
Neste natal, dê um presente verdadeiro a seu filho: torne-o um ser humano racional de verdade.

“Seu filho provavelmente tem mais neurônios que você e a capacidade de ligação entre esses neurônios está mais eficaz que a sua, portanto, neste natal revele a seu filho que o papai noel não existe. ” Épico!
No caso do Natal eu concordo com você, mas e no caso da cegonha? Você vai mostrar uma Playboy pro seu filho e explicar de onde vêm as crianças?
Quando você escreve ” Esses prazeres não exigem o “não” de um pai e são mais valiosos que o bem material que parece perder seu valor e prazer ao ser adquirido. ” aqui eu concordo e lembro do bullying. A vida de adulto é muito dificil e quanto mais cedo nos acostumamos com bullyings, nãos e decepções melhor pra nós na vida adulta. Chegamos muito mais maduros na maioridade. Eu tive uma infância difícil e hoje dou valor a praticidade do produto e não seu “status”.
Seu texto merece mais considerações, mas fico por aqui porque sou biólogo e não psicólogo.
Sobre a cegonha.. diga a verdade. Como eu escrevi no post, não use de termos técnicos, não vulgarize o sexo, mas diga a verdade. Por que acham que contar à uma criança de onde ela vem a fará pensar “nossa, que coisa horrível!” ou “poxa, que legal, vou lá fazer sexo”?
Obrigada pelo seu elogio do “épico” e sempre que quiser adicionar tais considerações, faça! Cresçamos juntos.