Todos nós estamos vulneráveis ao temido senso comum. Senso este que apenas reproduz ideias que foram disseminadas sem análise alguma. Existem algumas opiniões que muitas pessoas não enxergam como senso comum por superficialmente, mas muito superficialmente mesmo, aparentarem pertencer ao senso crítico. Vou citar dois exemplos que me incomodam bastante: criticas aos brasileiros e distinções sobre o sexo feminino e masculino. Ambos os exemplos aparentam pertencer ao senso crítico se analisado de forma superficial. Já se nos aprofundarmos no assunto, veremos que é puramente senso comum.
Da minha forma, tentarei explicar o que é senso comum e senso crítico:
Senso comum: ideia pré-construída e repassada sem reflexão alguma.
Senso crítico: critica feita com reflexão, indagação e embasamento.
É curioso e interessante observar como brasileiro é preconceituoso consigo mesmo. Vide este post do Oficina da Net. Na parte dos comentários há alguém que diz o seguinte:
Infelizmente o brasileiro ainda utiliza mal as ferramentas de busca na internet. Bom seria se pudesse aproveitar melhor o conteúdo para estudar e garimpar coisas mais interessantes
Eu li e fiquei bastante assustada. No post do Oficina, preste atenção nas palavras que mais foram buscadas no Google, uma delas é Enem 2010, isso não é bom? Compare com a busca mundial, não há muita distinção de conteúdo. O resto do mundo não usa o Google para buscar coisas mais cults que nós brasileiros. Com isso me surge a questão: quanto tempo a pessoa que fez esse comentário perdeu refletindo a respeito do preconceito que tem com o seu próprio povo? E este é só um pequeno exemplo, mas muito pequeno mesmo, se comparado com outros comentários a respeito dos brasileiros que eu já vi.
É neste ponto que se encontra o senso comum do responsável pelo comentário. Para mim as pessoas sustentam tanto essas críticas aos brasileiros por alguns motivos, e o principal seria um sentimento de inferioridade. Através destes comentários é possível enxergar como algumas pessoas se sentem inferiores por serem brasileiras e como estas têm uma falsa ideia de que o resto do mundo é muito melhor que o Brasil. Por ideias como essa serem muito espalhadas, elas fazem parte de um senso comum. De uma ideia que compõe a opinião de várias pessoas mas que não possui fundamento.
Veja que curioso: quem critica os outros brasileiros geralmente se sente superior. É complicado fazer esse tipo de afirmação sem poder provar, só que críticas assim acompanham palavras e uma visão pessoal muito consistente de que brasileiro é condicionado a burrice e o resto do mundo é superior. Eu poderia compreender essa visão que algumas pessoas têm de que brasileiro é burro por conta dos costumes populares* enaltecidos, seja pela mídia ou pelo boca-a-boca, no entanto eu não tenho tanta certeza se é realmente esse o problema. Outro aspecto importante para compreender a visão de algumas pessoas é a limitação. Para você afirmar que brasileiro perde tempo no Google fazendo pesquisa ruim enquanto poderia garimpar conteúdo, você obrigatoriamente precisa conhecer a forma de usar mecanismos de busca em outros países. Afirmar sem antes conhecer outras fontes para se comparar não é o mais adequado. É aí que entra a limitação: a pessoa só conhece o Brasil, nunca saiu do Brasil e só conhece outros países por meio da televisão, então cria uma ideia muito incoerente de que os povos de outros países são mais avançados, engajados, educados e informados.
Afirmações como esta não passam de senso comum camuflado de senso crítico. Quem reclama do brasileiro acredita que está fazendo uma crítica coerente e fundamentada e acredita principalmente que essa critica é fundamentada em meios de divulgação confiáveis – o que não é – e acaba esquecendo suas limitações. Reproduzir algo dito por outra pessoa ou visto em outro lugar sem uma reflexão posterior é senso comum. E não somente isso, limitar-se a uma única ideia É senso comum. Para construir-se um senso crítico é necessário ter uma ampla experiência sobre diversidades.
Afirmações como esta não passam de senso comum camuflado de senso crítico. Quem reclama do brasileiro acredita que está fazendo uma critica coerente e fundamentada mas se esquece de suas limitações. Reproduzir algo dito por outra pessoa ou visto em outro lugar sem uma reflexão posterior é senso comum.
costumes populares*: Funk e programas de televisão com conteúdo pobre são alguns exemplos.
O @ahfornitani me passou um vídeo que fala sobre o mesmo assunto do post que é muito interessante.
Tenho aquiduas criticas ao seu post.
1-O senso crítico não é necessariamente diferente do senso comum, no sentido em que o senso crítico e como um “pente fino” que separa as baboseiras do senso comum da realidade, o senso comum nem sempre é errado, mas a partir do momento em que ele é repassado como verdade absoluta sem nenhum fundamento, apesar de poder ser uma verdade sim, ele fica destituido de toda sua credibilidade, o senso comum que o brasileiro é burro é sim verdade, não necessariamente em relação a outros países mas sim a ele mesmo.
Não posso falar por outros somente por mim e digo:
-quando critico o brasil não me espelho na europa ou em qualquer outro país, mas sim no próprio brasil, porque o esforço feito em direção a mudança não tem como impeto tornar o brasil uma simples cópia de outro país mas sim fazer com que ele seja um país melhor por si só.
Ps:poderia me repassar o vídeo…
forget it
Repassar? O vídeo não aparece aí? “Forget it”? ?to?
Olha eu aqui de novo. Quem mandou colocar o link? rsrsrs
Eu concordo integralmente com você. Pra mim o senso comum é algo que merece um esforço para ser superado. Ou você corre o risco de não exercer a reflexão. Mas apesar disso, nem sempre o senso comum está errado.
Brasileiro é sim um povo medíocre. E sabe o que nos torna assim? A qualidade da escola pública, por exemplo. Eu conheço, aqui no Rio de Janeiro um bom número de escolas estaduais e municipais e te garanto: nenhuma delas presta. O nível de educação é baixo, muito baixo mesmo.
E as escolas particulares não ficam muito atrás. As ruins são ruins e ponto e as boas apenas te preparam para passar no vestibular. Dá pra contar nos dedos o número de escolas que queiram criar organismos pensantes.
E isso é apenas um fator. Existem milhares de outros que me renderiam um post ao invés de um comentário.
Sendo assim, é triste, mas é verdade: somos burros, preguiçosos e não nos preocupamos com isso. Infelizmente.
o/
Ok. Citar a educação brasileira é um exemplo, mas o que mais te leva a concluir que somos um povo burro e preguiçoso? E quanto aos outros povos, quantos você CONHECE para fazer essa afirmação?
Bom, eu trabalho com educação e certamente a educação no Brasil e no resto do mundo faz parte do estudo. Faz parte da licenciatura de qualquer faculdade teórica voltada ao ensino.
Então, eu não preciso morar alguns anos em Berlim para saber que as escolas deles são melhores que as nossas, pelo menos no sentido de conteúdo fornecido aos alunos, por exemplo.
No mais, o fato de o brasileiro ser burro, não torna em momento algum os estrangeiros inteligentes. Não foi isso que eu disse… =D
Ah, sim. Isso eu havia entendido. =D
Também trabalho com educação e tenho que desconstruir muitas idéias erradas que meus alunos têm do próprio país. Faço algumas comparações com outros lugares que eles acham o máximo e mostro que apesar dos pesares, mesmo com toda a dificuldade, o Brasil tem seus aspectos positivos e deve ser valorizado. Não acho o brasileiro burro, acho que a falta de uma formação e de a construção de uma identidade faz com o que o povo se sinta inferior e tenha o péssimo exemplo de se comparar com países desenvolvidos cuja cultura não se assemelha com a nossa.
Nosso ensino tem seus problemas sim, isso não é novidade, mas atribuo boa parte dessa culpa em três agentes que não são novidades para ninguém: Estado, por deixar sucatear nossas unidades de ensino, em especial no nível básico (fundamental I); má formação de professores e ovelhização dos cursos de licenciatura, que formam “dadores de aula” e não professores e aos pais, pela educação excessivamente libertária, que revogou valores e disciplina porque dizer não e repreender na hora certa é feio. A partir do momento em que educação se tornar plano de Estado e não de governo, talvez tenhamos um norte positivo. Quem faz seu curso é o aluno e são poucos os pais que realmente dão valor à educação. Aquele que se engajar e lutar pelas melhorias da escola do filho, certamente vai conseguir. Mas o aluno precisa se empenhar. Por que isentar o aluno de qualquer responsabilidade e em nome do “pedagógico” (palavra bonita na boca de muita gente) esquecer das regras e da disciplina.
O fato de sempre se descer a lenha na educação sem olhar todos os agentes envolvidos nela já é senso comum e está sendo repassado como uma verdade irrefutável.
É ótimo saber que alguém se empenha em quebrar essas ideias absurdas. Se os pais colaborassem na escola dos filhos, teríamos um ensino melhor, realmente. O Brasil tem seus problemas, sim, muitos dependem do Estado, mas sinceramente, defendo a ideia de que muitas coisas nós próprios podemos fazer. Pelo seu comentário, vejo que você faz isso, tenta mudar a visão dos alunos, não espera que o governo do seu estado envie um manual ensinando-a como fazê-lo. E é isso que o ensino precisa, de professores que fazem o melhor sem esperar apoio do governo. Não digo que o governo deva abandonar tudo e passar essa responsabilidade à escola e aos professores, mas sou contra a ideia que alguns professores tem de que é preciso esperar o governo tomar uma atitudo a favor da educação.
Falando em Funk, o Funk ainda estava só no Rio quando o Brasil já estava uma merd@.
Os nossos pais (eu tenho 27) viveram na chamada época de ouro da música brasileira e não mudaram o Brasil.