Há quem pense e lute por movimentos anti-alienação, que abram os olhos da “pobre-coitada-massa” que é, na visão de algumas pessoas, submetida à doses diárias de idiotização seja no trabalho ou em frente à tv. Em tese tudo é muito bonito, importar-se com a ignorância do próximo e querer fornecer a ele um pouco de conhecimento soa romântico. Contudo, em minha visão as coisas não são exatamente dessa forma. Pode ser estranho, mas as pessoas têm o direito de escolher se querem ou não ser manipuladas, se querem ou não acreditar em tudo que leem, escutam, veem; enfim, eu não vou chegar até alguém e dizer: olha, estão te enganando, permita-me abrir os seus lhos. Oras, e eu, eu não sou enganada ou manipulada? Quem garante? Essa ideia de “eu sou crítico e anti-sistema” é bem interessante quando você realmente acredita saber mais que os outros e que, como conhecedor da “verdade”, tem a obrigação de avisar aos desinformados.
No entanto não funciona assim. Se manipulação existe e se você quer ser intelectualmente o mais independente possível, é obrigação sua conhecer todos os lados de uma opinião, de uma notícia, e se você não quiser, é um direito que você tem. Garanto que se todos, individualmente, tivessem a vontade de adquirir mais conhecimento, acontecimentos que nós criticamos tanto seriam menos frequentes e a busca individual por liberdade social seria mais eficaz do que movimentos em que uma minoria luta pelo bem da maioria. Escrevo dessa forma pois tempos atrás eu também pensava assim e me incomodava muito saber que as pessoas se permitiam manipular e alienar, todavia, hoje eu vejo que cada um escolhe o que acha melhor pra si e o que podemos fazer é nos dar por satisfeitos. E se mesmo assim alguém ainda quiser agir de forma que abra os olhos dos outros, que faça isso com quem está próximo; sem utopias e sem ideais absurdos. Repasse sua opinião, o que você acredita ser coerente, mas sem querer impor como correto ou absoluto.
Não sei como surgiu a ideia de que as pessoas são manipuladas, que elas agem de acordo com o que os outros querem, mas essa ideia se fixou tanto que, o que ocorre agora – segundo o que eu observo – é que “todos são manipulados, menos eu”. É válida uma reflexão a respeito do tal bicho manipulação, será que tanto anseio por liberdade também não torna o crítico um “robô do sistema”? Pois se somos todos fantoches, não teriam reservado o personagem de crítico, conhecedor da verdade, especialmente à algumas pessoas?

Discordo do papel do “crítico” estar no roteiro do sistema. Se assim fosse seria um papel sempre fadado a morrer no enredo já q ele nunca é bem tolerado, vide as torturas e mortes na ditadura militar, por exemplo.
Acho q é dever, sim, esclarecer a quem está sendo iludido. Entretanto se o iludido quer continuar na ilusão, é problema dele.
Eu discordo,acredito que a pessoa não deveria ter essa opção de se desalienar ou não por várias razões:
1-Numa escolha sensata você analisa as duas opções objetivamente, e vê o que te beneficia mais, levando em conta os danos causados a outrem,o alienado não faz bem uma “escolha” já que ele não sabe o outro lado…
2-As “massas controladas” por serem alienadas e seguirem á algo cegamente, não percebem o impacto colossal que elas causam no mundo tornando-o pior, de várias maneiras.
3-Toda essa demagogia presente no Brasil praticamente anula a democracia, ja que os votos da maioria são dados sem nenhum critério, concentrando nas mãos de poucas pessoas influentes sobre a massa o poder político do brasil e consolidando o 4º estado ou a mídia.
4-A alienação total de um povo é um dos passoas cruciais para o estabelescimento de um regime totalitário, como o nazismo(não que o brasil se torne um mas…).
Ser iludido e ser manipulado é diferente. Críticos existem tanto do lado manipulado como do manipulador. As pessoas só defendem o próprio interesse e criticam qqr coisa q vá contra esses interesses. De nada adianta criticar o sistema, ou se iludir achando q vai abrir os olhos das pessoas. A “massa” da qual faço parte, só vai realmente acordar quando os manipuladores forem contra seus interesses, ou seja, quando doer de verdade no bolso…fora isso, não faz a menor diferença quem manipula ou é manipulado, se eu tiver $$ o bastante pra viver e me divertir…pouco importa…eu voto DILMA, ou serra…ou até hugo chaves!
Régis,
fadado a morrer no enredo já q ele nunca é bem tolerado, vide as torturas e mortes na ditadura militar, por exemplo.
Sim, como você mesmo disse, fadado a morrer no enredo. E caso não morra, cansa, desiste, pois vê que a maioria multiplica e,é impossível realizar esse desejo utópico de abrir os olhos dos outros. A respeito do dever, cabe a cada um definir o que é e o que não é um dever, eu discordo que isso seja o dever. Eu costumo enxergar de forma individual, que cada um lute pelo seu bem e, usando o bom senso, certamente contribuirá ao bem de todos.
MR1,
Concordo que a vontade da maioria, se insensata, acaba prejudicando todas as outras pessoas. Mas cabe mesmo a minoria abrir os olhos da maioria? Como eu disse no post, por que quem se acha conhecedor da verdade, detentor da informação, se vê na obrigação de fazê-los enxergar? As pessoas se portam de forma tão convencida, crentes que sabem o absoluto e precisam esclarecer isso às massas.
Como não sou bom em explicar as coisas eis uma parábola analoga á situação dos alienados e daqueles que tentam abrir seus olhos:
Um dia, um cachorro grande e feliz andando por uma clareira viu umj colega cão, muito judiado com escoras e hematomas por todo seu corpo,subnutrido, muito magro.Aproximou-se e foi falar com ele.
Depois de conversar com ele descobriu que ele tinha um dono que o maltratava e dava muita pouca comida para ele ao final do dia, e apesar de não estar acorrentado á casa ele não desejava fugir, temeroso do mundo lá fora.
Nessa parábola o cachorro subnutrido são as massas alienadas que são facilmente manipuladas e prejucidcadas sem nem se dar conta disso, e o cachorro “livre” é aquele que tenta abrir os olhos das massas, não por achar que detém o conhecimento absoluto, mas por cnhecer as duas situações haver se libertado, e querer essa liberdade para seu colega, assim como no mito da caverna de platão.
Parei para refletir sobre isso agora. Tem lógica.